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Marcas próprias avançam 15,6 vezes mais que marcas tradicionais em unidades

Marcas próprias avançam 15,6 vezes mais que marcas tradicionais em unidades

As marcas próprias estão ganhando espaço justamente em um dos indicadores que mais desafiam o varejo alimentar: a venda em unidades. Entre junho de 2025 e junho de 2026, os produtos de marca própria cresceram 10,9% em volume, enquanto os itens de marcas tradicionais avançaram apenas 0,7%. Na prática, o ritmo de crescimento das marcas próprias foi 15,6 vezes maior no período.

O movimento foi levantado pela NielsenIQ e ajuda a explicar por que a estratégia deixou de ser apenas uma alternativa para oferecer preços mais baixos e passou a ocupar um papel mais relevante na construção do negócio do varejista associadas a atributos como custo-benefício, disponibilidade e qualidade superior. Em 2025, elas já representavam 1,8% de participação no Brasil, enquanto quase 30% dos lares brasileiros compravam esses produtos.

O desempenho também aparece no faturamento. As marcas próprias cresceram 11,9% em valor, contra 5,7% das marcas tradicionais, ritimo 2,1 vezes maior. A diferença, porém, está na origem desse avanço. Enquanto as marcas próprias sustentaram o crescimento principalmente pelo aumento de volume, as marcas fabricantes tiveram sua evolução em valor apoiada sobretudo pelo aumento de preços.

Para o varejista, essa dinâmica traz uma leitura importante sobre o papel da marca própria na estratégia comercial. Mais do que disputar espaço com grandes fabricantes, ela pode funcionar como uma ferramenta para ampliar alternativas de compra, melhorar a percepção de valor e criar diferenciação dentro da própria gôndola. O gasto dos lares brasileiros com esses produtos, segundo a NielsenIQ, cresceu 16,4%, reforçando que o movimento já ultrapassa uma simples busca pontual por economia.

Há, ainda, uma mudança na própria arquitetura das marcas próprias. O crescimento está concentrado nos produtos com identidade própria, que ampliam presença nas gôndolas e aceleram as vendas. Já as marcas que carregam diretamente o nome do varejista perdem espaço tanto em faturamento quanto em sortimento. Isso sugere que o consumidor não necessariamente procura uma “marca do supermercado”, mas uma proposta de produto capaz de entregar valor percebido.

O faturamento acumulado de R$ 7,8 bilhões em supermercados grandes e pequenos, hipermercados e atacarejos dá dimensão ao mercado. E, com 58% dos brasileiros afirmando que pretendem comprar mais produtos de marca própria, há espaço para que essa participação avance.

Para o varejo alimentar, portanto, a marca própria deixa de ser apenas uma estratégia de preço e passa a ser uma alavanca de crescimento em volume. Em um mercado no qual vender mais unidades se tornou um desafio, o avanço das marcas próprias mostra que a combinação entre preço competitivo, qualidade percebida e diferenciação pode estar mudando a lógica de escolha do shopper.

Fonte: Varejo SA+

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