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Nestlé simplifica operações e negocia venda de divisão de sorvetes

Nestlé simplifica operações e negocia venda de divisão de sorvetes

CEO da gigante suíça de alimentos, Philipp Navratil, confirmou que está em conversas avançadas para vender marcas próprias à joint-venture Froneri

A Nestlé está em negociações avançadas para vender suas marcas próprias de sorvetes, disse nesta quinta-feira o novo diretor-presidente da companhia, Philipp Navratil. Segundo ele, a ideia é vender seu negócio remanescente de sorvetes para a joint-venture Froneri, que a gigante de alimentos mantém com a gestora de private equity PAI Partners. A estrutura acionária da joint-venture permanecerá como está, afirmou ele. A divisão de sorvetes inclui marcas como D’Onofrio, Real Dairy, Parlour e Lafrutta.

A possível venda ajudará a simplificar ainda mais o portfólio da Nestlé, dando continuidade a um processo de enxugamento que já dura anos. O novo comando da Nestlé concentra esforços em quatro segmentos: café, petcare (cuidados com animais de estimação), nutrição e alimentos/snacks.

A Nestlé foi por muito tempo conhecida como uma das maiores fabricantes de sorvete do mundo, até que a Froneri assumiu a maior parte do negócio. A companhia suíça ainda vende sorvetes em alguns mercados locais que não fazem parte da Froneri. Além da Lafrutta, há marcas menos conhecidas no Brasil como D’Onofrio, Real Dairy e Parlour. São esses negócios remanescentes que estão em negociação.

A PAI Partners levantou bilhões de dólares no ano passado para poder manter a Froneri por mais tempo. A Abu Dhabi Investment Authority (ADIA) entrou como nova investidora minoritária na ocasião, em um acordo que avaliou a empresa em cerca de € 15 bilhões (US$ 17,7 bilhões), incluindo dívida.

Nesta quinta-feira, as ações da Nestlé subiram até 4,5% no início do pregão. O ativo, que ficou atrás do desempenho da rival Unilever nos últimos meses, acumula alta de cerca de 2,1% desde o início do ano. Antes, os papéis haviam caído cerca de 40% em relação ao pico de 2022. Em contraste, concorrentes como a Danone e a Unilever avançaram mais de 20% no mesmo período.

Navratil afirmou que a recuperação da empresa — cujo desempenho vem ficando atrás do esperado há anos — está no caminho certo, ao projetar crescimento de vendas e lucros e revelar planos para reorganizar o grupo de 160 anos.
“Nossas ações estão começando a dar resultado e as tendências de crescimento estão melhorando”, disse Navratil a analistas em teleconferência. “Temos uma estratégia clara com prioridades”.

A fabricante do café Nespresso e da ração para gatos Purina projetou nesta quinta-feira crescimento orgânico da receita entre 3% e 4% em 2026. A estimativa se compara à projeção de 3,2% feita por analistas consultados pela Bloomberg. A Nestlé informou ainda que está adiantada em seu plano de redução de custos e já alcançou cerca de 20% das economias previstas.

Navratil enfrentou um início turbulento de gestão desde que assumiu o comando, em setembro passado. Ele está no meio de um corte de 16 mil vagas, cerca de 6% da força de trabalho global, reorganizando o negócio em torno de quatro divisões principais e administrando o recall de fórmulas infantis.

Navratil e o presidente do conselho Pablo Isla — ambos no cargo há menos de seis meses — estão sob pressão de investidores que buscam uma reviravolta. Navratil é o terceiro CEO da empresa sediada em Vevey nos últimos dois anos, um nível de rotatividade sem precedentes na alta liderança da Nestlé. Ele assumiu o cargo após a saída de Mark Schneider por baixo desempenho no ano passado e de Laurent Freixe, por não ter revelado um relacionamento com uma subordinada direta.

Desde que assumiu, a Nestlé atualizou incentivos gerenciais, metas e estruturas de remuneração para “impulsionar uma cultura de desempenho”, afirmou Navratil nesta quinta-feira.

Isla também é o primeiro executivo externo a assumir a presidência do conselho e anunciou, na quarta-feira, uma reformulação do colegiado, enquanto trabalha para estabilizar a Nestlé após a crise de governança do ano passado. A empresa indicou o ex-presidente do Banco Nacional da Suíça, Thomas Jordan, e a executiva da Procter & Gamble Fatima Francisco para reforçar a supervisão e aprimorar a tomada de decisões.

Confira a reportagem completa no InfoMoney 

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