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Marca própria e máscaras ajudam vestuário

por Redação Private Label
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Nos últimos seis meses, muitas empresas de vestuário voltaram-se para a produção de máscaras para suprir a falta de encomendas. Noutros casos, a aposta em marcas próprias também contribuiu para ultrapassarem esta fase mais difícil.

A produção de máscaras foi uma das soluções da Orfama para se manter a laborar logo após o primeiro impacto da pandemia. «Sentimos uma quebra como todas as empresas sentiram e nos meses de março, abril e maio estivemos a fazer máscaras para um segmento de mercado diferente, para ocupar parte da produção que perdemos dos clientes», revela, ao Jornal Têxtil, António Cunha, sales area manager da empresa, que emprega 220 pessoas.

Embora já esteja a produzir para os clientes de private label, os números atuais apontam para «no mínimo, uma queda à volta dos 20%» face a 2019, quando o volume de negócios rondou os 6 milhões de euros.

«A queda poderia ser eventualmente ocupada por clientes novos, mas demora tempo, o barco ainda está no meio da tempestade e temos que saber quanto tempo vai demorar até passar tudo isto», explica António Cunha, que apesar de acreditar na resiliência da indústria portuguesa, sublinha que «uma empresa não pode aguentar um ano com produções abaixo daquilo que estava programada e continuar normalmente. Não é possível. Se não houver ajuda do Estado como houve até há pouco tempo, as empresas vão ter obrigatoriamente que se redimensionar. Depois teremos um problema: quando os clientes quiserem vir para Portugal, as empresas vão estar mais pequenas e não vão ser capazes de dar resposta às necessidades do mercado».

Também a Ditchil chegou a produzir máscaras, mas a marca epónima de vestuário de desporto, que representa 80% da produção, tem sido o grande motor do crescimento nesta fase e deverá permitir que a empresa termine o ano de 2020 próxima do milhão de euros de volume de negócios. «Ficámos muito surpreendidas pela positiva com o aumento da procura na retoma. Eu já dizia que esperava que o ano desse pelo menos para pagar a fornecedores e empregados, não ter prejuízo, mas está a ser muito bom. Podemos não chegar a um milhão de euros, mas também não vai ficar muito longe», afirma Carla Macedo, fundadora e CEO da empresa.

É, de resto, com a marca própria e os olhos postos no internacional que a empresa espera continuar a sua expansão. «Neste momento temos algumas perspetivas com distribuidores na Alemanha e na Holanda, possivelmente na Áustria», indica a comercial Raquel Rodrigues.

O desporto é igualmente o core business da 2 Move Garments. A empresa, criada em 2007, apesar de não ter tido qualquer cancelamento de encomendas, sentiu menos procura este ano e deverá ter um volume de negócios «ligeiramente inferior» ao de 2019, que ultrapassou os 800 mil euros.

A pandemia travou a dinamização da marca própria Fyke, que está atualmente à venda em quatro lojas em Portugal e no canal online. «Lançámos a marca em 2019 e a ideia era em 2020 avançarmos para a internacionalização», adianta Joaquim Anjos, diretor-geral da 2 Move Garments. O objetivo de chegar à Suíça, Alemanha, EUA e França ficou adiado para o ano. «A ideia é que a marca cresça com sustentabilidade e responsabilidade. Vamos crescer, mas passo a passo», assegura.]

A empresa Maria Anunciação Fonseca da Costa teve igualmente de deixar a marca Ruanjo «um bocadinho esquecida» face ao private label. «Pensámos em desenvolver a marca, porque o ano começou mesmo muito bem e, uma vez que estávamos com muitos recursos, íamos aproveitar a maior parte desses recursos para desenvolver a marca e levá-la lá para fora, em feiras específicas. Entretanto aconteceu isto e tivemos que parar», conta Maria Costa, fundadora e CEO da produtora de vestuário.

A marca, contudo, continuou a ser vendida em algumas lojas multimarca e através do comércio eletrónico. «Houve um aumento nas vendas online. Foi positivo mas, por outro lado, as lojas físicas não venderam, por isso o nível de vendas manteve-se», assegura.

A Ruanjo representa atualmente cerca de 10% do volume de negócios, pelo que o private label tem o maior peso no volume de negócios. A procura internacional permitiu à empresa continuar a trabalhar, apesar de ter tido necessidade de recorrer ao lay-off em julho.
«Os EUA e Inglaterra foram afetados depois de nós e, por isso continuamos a trabalhar [em março e abril]. Quando aqui já estava a haver uma retoma, lá diminuiu», esclarece Maria Costa, que aponta a Holanda e a Alemanha como países onde se começa a sentir uma recuperação mais efetiva.
Apesar da diminuição das encomendas, em número e quantidade, a Maria Anunciação Fonseca da Costa antecipa resultados positivos em 2020. «Nos primeiros três meses trabalhou-se muito bem e faturamos quase o dobro», justifica a fundadora, destacando que «em 2020 já atingimos quase o volume de negócios de 2019».
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