Home Notícias Grupo Calcenter, do Mato Grosso, prepara expansão

Grupo Calcenter, do Mato Grosso, prepara expansão

por Lucas Mazzolenis
0 comentário

O Grupo Calcenter, dono da rede de varejo de calçados Studio Z, fortaleceu seu braço financeiro para sustentar a expansão de lojas em território nacional. O grupo, que faturou R$ 1,47 bilhão em 2018, fechou acordo com a Visa para transformar o cartão da loja em cartão de crédito e planeja lançar outros serviços financeiros.

Para a rede de lojas Studio Z, com 88 lojas em 12 Estados, o plano é abrir 12 unidades até o fim do ano. Para financiar esses projetos, a companhia lançou neste mês um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), com expectativa de captar R$ 50 milhões.

Paulo Valadares, diretor de produto e comercial da Calcard, braço de serviços financeiros do Grupo Calcenter, diz que a intenção é substituir os cartões Calcard — que só podem ser usados nas lojas Studio Z — pelos cartões Calcard Visa, que podem ser usado em 300 mil estabelecimentos no país.

Hoje o grupo tem 3 milhões de cartões emitidos, sendo 1 milhão de clientes ativos (que compraram nos últimos 12 meses). “A expectativa é fechar o ano com 600 mil clientes com o novo cartão”, estima Valadares. Ele diz que, desde o lançamento do cartão, em abril, as transações com esse meio de pagamento aumentaram 50%. No ano, Valadares estima que essas transações crescerão 48,5%, movimentando R$ 1,1 bilhão.

Além do cartão Visa, o grupo planeja oferecer neste ano serviços como empréstimo pessoal e seguros. Valadares diz que a maioria dos clientes são das classes C e D e esses consumidores têm pouco acesso ao sistema de crédito. Segundo ele, a taxa de inadimplência dos cartões Calcard é compatível com o patamar verificado no mercado de crédito rotativo, que atingiu 5,9% em maio, segundo o Banco Central.

Valadares diz ainda que o grupo lançou neste mês um FDIC para financiar a expansão do serviço financeiro. “A meta é captar R$ 50 milhões neste ano. Até o começo de 2020 podemos fazer uma nova captação de R$ 50 milhões, dependendo da demanda”, diz o diretor.

O Grupo Calcenter foi fundado em 1975 em Várzea Grande (MT), por Mário Zanatta e a esposa Walma Brandão. Zanatta é primo em segundo grau do fundador da Sadia (atual BRF) Attilio Fontana e era diretor na empresa quando abriu a primeira loja de calçados com a esposa, a Gabriela Calçados.

Na década de 90, a empresa criou a Studio Z, como um outlet. A loja funcionava como um supermercado de calçados, com lojas de 1,2 mil a 2 mil metros quadrados e sem vendedores. Mais tarde, as unidades deixaram de ser outlet, mas mantiveram o conceito de autosserviço. A rede tem como alvo consumidores das classes B, C e D. Desde 2011, a sede da companhia fica em Palhoça (SC).

Zanatta diz que a estratégia de expansão é voltada para praças com menos concorrência. Por isso, a rede concentra-se nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul. Até o fim do ano, pretende inaugurar 12 lojas em Rondônia, Pará, Mato Grosso, Paraná e no Nordeste.

“Em 2018, abrimos seis lojas, mas a intenção é abrir, em média, dez lojas por ano, para crescer organicamente sem usar recursos externos”, afirma Zanatta. Sem citar números, o executivo diz que a dívida líquida do grupo equivale a 1,2 vezes o seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), um número considerado saudável para o varejo.

Diferentemente das líderes de mercado Alpargatas, Grendene e Arezzo, o Grupo Calcenter não fabrica seus calçados. As marcas próprias, como Liberty, Gabriela e Woche, são fabricadas por terceiros e representam 60% das vendas.

Zanatta diz que as vendas da Studio Z cresceram 15% em receita no primeiro semestre, ante igual período de 2018. Para o ano, a meta é ter um aumento de 16,4% na receita, para R$ 850 milhões.

Esse desempenho é bem superior ao do mercado. De acordo com a Associação Brasileira dos Lojista de Artefatos e Calçados (Ablac), de janeiro a maio, a receita do varejo calçadista caiu 3%, em relação ao mesmo intervalo de 2018. Para o ano, a previsão da entidade é de aumento nominal de 3,5%, chegando a R$ 55,3 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhar

Você pode gostar

Deixar um comentário