Confira outros conteúdos debatidos no primeiro dia de palestras da Private Label Talks

TEMA: Cenário atual da Marca Própria no Brasil

Palestrante: Daniel Asp Souza – Nielsen Brasil – Líder de Desenvolvimento

Resumo: O palestrante falou sobre a evolução da marca própria no Brasil, abordando o cenário macro, o comportamento do consumidor no país, o Private Label no varejo brasileiro e as oportunidades de crescimento de marcas próprias no país.

Segundo Souza, as marcas próprias cresceram em vendas, mas não o suficiente para aumentar a fatia no mercado total. Isso porque não são todos os canais que estão crescendo em participação de mercado.

A concentração do varejo, de acordo com o executivo, influencia na importância da marca própria no mundo. Quanto maior a concentração, maior é a relevância e a participação das marcas próprias.

Fala:“Esse evento é importante para a gente ver o espaço que a marca própria tem para conquistar e trazer a integração entre a indústria e o varejo. Quando se está pensando no consumidor, e eles são muitos diversos, há espaço para uma marca líder, intermediária, própria e de preço.

É preciso esclarecer a importância da marca própria e como ela entra em uma estratégia do varejista para que seja bom para ambos, isso faz muita diferença.

Os dados que a gente trouxe mostram a realidade de hoje e a integração dessas informações com outras palestras traz para nós o entendimento de porque estamos nesse estágio ainda e porque outros países já avançaram muito mais nesse sentido.

Eu acho que quando a gente olha esses dados de uma maneira mais estática, a gente tira algumas conclusões iniciais, mas quando há integração com outras discussões feitas, a gente começa a ter elementos para entender onde a gente está e para onde a gente pode ir, para que a gente possa tomar as melhores decisões.

O tamanho da marca própria é muito pequeno no Brasil e há potencial para crescimento. Quem sair na frente com uma estratégia bem desenhada pode se destacar.”

 

PaineI Indústria: Oportunidades e desafios na terceirização de produtos na visão da indústria.

Palestrante: Sameila Brandão – Cremer S.A. – Gerente de Produto

Resumo:A empresa, de Blumenau, está no mercado há 84 anos, focada em primeiros socorros, higiene e beleza.

O novo modelo de negócio para estas áreas está baseado nas necessidades e solicitações dos clientes. Isso porque o varejista consegue obter dados sobre os anseios do consumidor e passar para a indústria todas as demandas de quem está comprando os produtos.

Desta forma, surge uma nova forma de negócio: Não é a indústria empurrando produto no consumidor, mas o cliente ditando as regras daquilo que ele quer comprar.

Fala:“É a nossa primeira participação na Private Label devido ao fato de a Cremer firmar o posicionamento de fornecimento em marca própria. Temos a nossa marca própria, mas entendemos a relevância do mercado e estarmos presentes nos comunicando com clientes potenciais. Espero que a feira possa gerar novos negócios e clientes, para evoluirmos nesse mercado”.

 

Palestrante: Raul Matos – Biscoitê – Sócio/Fundador

Resumo:A Dauperé uma fábrica brasileira com foco 100% em terceirização e marca própria. A unidade está localizada no Rio Grande do Sul e produz 9 mil toneladas de cookies por ano.

Entre os clientes da Dauper estão grandes marcas, como Bauducco, Kellogg’s, Carrefour, Danone, Dia, Garoto, Bob’s e Mc Donald’s, entre outras. Os principais produtos produzidos são cookies, biscoitos e granola.

Segundo Matos, o cliente está cada vez mais exigente e quer produtos personalizados. Se o fabricante não atender, a concorrência será procurada.

Fala:“Esse evento é muito importante para reunir os fornecedores, os clientes e os parceiros para que eles se conectem e possam aumentar esse ecossistema de marca própria e terceirização, o que no Brasil ainda é muito pequeno e pouco explorado.

Venho falar sobre a indústria de terceirização como parceira. Na nossa visão, as marcas são plataformas de negócio e deveriam conectar fábricas deles a terceiros para atender as necessidades do cliente.

Como o mercado muda muito rápido, a gente acha que se as marcas não fizerem isso e se não tiver fábricas estruturadas para atender essas marcas, dificilmente elas vão conseguir atender às necessidades dos consumidores, que estão mudando cada vez mais rápido e tornando-se mais exigentes. É o que a gente chama de long-tail.”

 

Palestrante: Mônica Boschetti – Kobber Alimentos – Gerente operacional

Resumo: Mônica falou sobre oportunidades e desafios de Private Label na Kobber Alimentos. A empresa atua com terceirização desde 1998 e possui marca própria, que fabrica barras de cereal, granola e produtos com zero adição de açúcar, para a chamada Linha Fitty.

A gerente operacional afirmou que não tem “ciúmes” dos produtos, mas orgulho ao ver a marca própria ou de um terceiro no mercado. Por isso, todas as linhas de produtos estão disponíveis para terceirização.

Segundo Mônica, os produtos são feitos com ingredientes mais simples, para garantir um preço mais baixo sem perda de qualidade. A Kobber fabrica alimentos para diversas marcas populares como Kellogg’s, Quaker, Do Bem e Linea.

A gerente operacional afirmou ainda que a empresa conta com uma equipe exclusiva para terceirização, assim como um investimento dedicado em maquinário, compromisso com a confidencialidade e flexibilidade, entre outros atributos.

Fala: “O evento é importante para divulgar o Private Label para as empresas que precisam e estão buscando isso. Também é essencial para mostrar que várias indústrias estão prontas para fazer isso com muita qualidade e uma equipe dedicada.

Venho justamente falar de tudo o que a gente tem dentro da companhia para fazer Private Label e dizer os desafios que encontramos no dia a dia para que isso fique maior no Brasil, já que é tão grande em outros países”.

 

Antonio Sá – Sócio-fundador da Amicci – mediador

Resumo: Antonio Sá foi mediador do painel e provocou os palestrantes com perguntas relacionadas a inovação e mercado. O executivo também ressaltou a importância do investimento em marcas próprias.

Fala: “Foi muito bom ouvir o nível de comprometimento das empresas que estão aqui com marcas próprias. Lidamos com diversos fornecedores e é muito bacana ver indústrias que já tomaram essa decisão de ser uma referência em marca própria.

Muitas indústrias estão dando tanto foco para isso que estão tomando o mercado para si. Com essa decisão, eles concentram esforços e conseguem trazer inovação, entender o negócio do cliente e gerar muito mais vendas para ambas as empresas.”

 

TEMA: Principais movimentos de Marcas Próprias no mundo

Palestrante: Aline Rocha – Amicci – Líder de Marketing

Resumo: Aline falou sobre os principais movimentos e as características de quem trabalha com Marcas Próprias no mundo. O atributo mais marcante do setor, segundo a palestrante, é a resiliência, para estar sempre pronto para mudanças.

A palestrante apresentou dados sobre o crescimento de Marcas Próprias no mundo e trouxe um case sobre os Estados Unidos. Neste caso, Aline detalhou um estudo feito sobre o país, mostrando que as MPs “roubaram” US$ 4 bilhões das grandes marcas em 2018.

O estudo também considera fatores do mercado local, como o perfil do consumidor, o foco do varejista americano, entre outros. Aline finalizou a palestra com a frase “Marcas querem se tornar varejistas e varejistas querem se tornar marcas”, para reforçar a importância do Private Label.

Fala:“Estou há dez anos em Marca Própria e acho que esse evento vem prestigiar o profissional e o mercado que gera tanto valor e negócio. É bacana colocar a indústria e o varejo para debater, ver cases e entender como a gente pode evoluir.

É importante criar uma sinergia entre indústria e varejo e criar uma agenda positiva para a marca própria poder realmente decolar no Brasil.

Eu trouxe cases, como o do mercado americano, onde a participação dos Estados Unidos é de 18% em Marca Própria e a previsão para os próximos anos é que eles cheguem a 30%. Isso tem muito a ver com o foco do varejista e em realmente inovar, construir marca, ter um posicionamento claro e uma relação mais aberta com os fornecedores.São passos que a gente precisa seguir e se inspirar para conseguir evoluir.”

 

TEMA: Marca própria não precisa ser me too: Inovação em produtos

Palestrante: EtienneGruhier – Flexicotton – VP de Vendas, líder no fornecimento de produtos de higiene e perfumaria para marcas próprias no Brasil e América Latina

Resumo: Cerca de 80% do faturamento da empresa é com marcas próprias e terceirização. Isso porque, recentemente, a Flexicotton recebeu solicitações de produtos com esta marca.

A palestra tratou da importância da inovação em produtos e desmistificou a forma de desenvolvimento com base na qualidade da marca líder. Agora, segundo Gruhier, é preciso oferecer soluções diferentes do que já existe no mercado e não um produto semelhante ao mais conhecido, porém mais barato.

O executivo falou sobre como as fábricas podem levar inovação para a marca própria, de uma forma simples e ágil. De acordo com Gruhier, é preciso confiar no próprio taco, realizar benchmarking, ser ousado, investir e “se jogar de cabeça”.

Outro tema abordado foi o desafio de oferecer um produto melhor que a marca líder oferece, por um preço mais alto. Para isso, o executivo trouxe exemplos que ocorreram na Flexicotton. Gruhier terminou a palestra com a seguinte frase: “Cuide de sua marca que nós cuidamos dos seus produtos”.

Fala: “Esse evento é primordial porque no Brasil a gente ainda está com 5% de participação. Na nossa empresa, isso já é um negócio, a gente vive de marca própria. Vemos que há bastante a se fazer para que o Brasil chegue a 10% de share incluindo a indústria e o varejo. Mas está indo no caminho certo.”

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