Marcas próprias ampliam presença no Brasileirão em 2020

Um dia após anunciar o acordo com a Adidas, o já ex-CEO do Cruzeiro, Vittorio Medioli, deixou todos surpresos ao dizer que o acordo não era interessante à Raposa e que o clube rescindiria o contrato para lançar uma marca própria.

Algumas semanas após esta declaração, o dirigente já se afastou do clube, logo, apesar de supostamente existir uma reunião entre as partes nesta semana para discutir o acordo assinado no ano passado, parece que a ideia por enquanto deu uma esfriada.

No entanto, a intenção do Cruzeiro de embarcar na iniciativa das marcas próprias é mais uma indicação de que a ideia é sim uma grande saída para que clubes brasileiros possam rentabilizar e trabalhar lado a lado com seus torcedores, oferecendo produtos com uma maior identificação, atendendo pedidos da torcida, coisa que muitas fornecedoras maiores não conseguem realizar.
Recentemente, dois clubes que em 2020 disputam a série A do Brasileirão, deram exemplos de como as suas marcas próprias já são imprescindíveis como ferramentas de marketing para trazer mais dinheiro aos seus cofres.

O Esporte Clube Bahia por exemplo, anunciou que fechou o ano de 2019 com uma arrecadação de R$ 8 milhões, uma alta de 316% em comparação à 2018, ano que o time vestiu Umbro até o meio do ano. Entre os diferenciais que fizeram o faturamento disparar, estão diferentes linhas para as suas camisas de jogo, assinadas pela Esquadrão, que contaram inclusive com o lançamento de uma linha popular, custando apenas R$ 99, além de quase 30 produtos diferentes que variam entre diversas peças de vestuário, à canecas, carteiras, capas de celular, desodorante, entre outros itens.

O outro clube que celebrou recorde de vendas foi o Coritiba, que anunciou ter alcançado mais de um milhão de reais em vendas apenas no mês de dezembro, aproveitando a euforia dos torcedores coxa-branca que celebravam o retorno à elite do futebol brasileiro.

Segundo o clube, além das camisas 1 e 2, a camisa da Virada, um modelo todo branco lançado para o Reveillon, fez bastante sucesso e contribuiu para engordar os cofres.

Esta leva recente de marcas próprias, teve como pioneiro o Paysandu em 2016, com sua marca Lobo, desde então, o número de times que criam e assinam seu próprio material esportivo vem se multiplicando a cada ano.

Para se ter uma ideia, no ano passado fizemos uma matéria falando sobre o recorde de participação das marcas próprias nas séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. Ao todo eram 12, sendo três na série A, quatro na série B e cinco na série C. Já para este ano, até este momento, já são 19 equipes nas três principais divisões do país, sendo que até o início da competição, é capaz que outros times resolvam aderir à iniciativa, Cruzeiro e Ponte Preta são potenciais candidatos.

Série A (6 times)

Sem dúvida nenhuma, o grande destaque fica por conta do número de equipes com marcas próprias na principal divisão do país. Para efeito de comparação, terão mais times vestindo marcas próprias do que vestindo Umbro, fornecedora que tem mais clubes e que contará com cinco parceiros (Athletico, Fluminense, Grêmio, Santos, Sport Recife.

Os seis times que vestirão marcas próprias são: o Bahia com a Esquadrão, o Fortaleza com a Leão 1918, o Goiás com a GR33N, que já usavam uniformes feitos pela sua própria fornecedora em 2019. Para 2020, o Ceará rescindiu com a Topper e lançou a Vozão, enquanto Atlético-GO e Coritiba retornam da série B com a Dragão Premium e a 1909 Sports respectivamente.

Série B (8 times)

A série B do Campeonato Brasileiro já foi a divisão com mais equipes vestindo marcas próprias em 2019 e neste ano não será diferente.

Dos times que disputaram a competição no ano passado permanecem o América-MG, com a Sparta, o CRB, com a Regatas, e o Paraná, com a Valente. O CSA, que veste Azulão, chega da série A, enquanto o Juventude, que veste 19Treze, e o Náutico, com a NSeis, subiram da série C. Fecham a lista o Figueirense, que estreia a 1921 e o Brasil de Pelotas, que já anunciou que vestirá uma marca própria, mas ainda não lançou seus uniformes.

Série C (5 times)

A série C é a única divisão em que (até o momento) teremos o mesmo número de times vestindo marcas próprias comparando 2020 e 2019, no entanto, o não crescimento do número pode ser facilmente explicado, dos quatro times que subiram para a série B no ano passado, três deles tinham sua própria fornecedora, o Náutico, o Sampaio Corrêa (desistiu da marca própria e vestirá Numer em 2020) e o Juventude.

Para esta edição, teremos dois times com experiência no assunto: o Paysandu, que veste a Lobo, e o Santa Cruz, que é dono da Cobra Coral. As novidades serão o Botafogo-PB, que lançou a Belo1931 e o Criciúma e o Vila Nova, que ainda não divulgaram seus uniformes, mas também estrearão sua própria marca neste ano.

Não basta aderir, é preciso saber fazer…

Como vimos acima, as marcas próprias à cada ano que passa, ganham mais espaço no futebol brasileiro, no entanto, é importante frisar que ela por si só não é uma solução e muitos times que já optaram por esta iniciativa, mudaram de ideia, pois não souberam administrar e trabalhar a marca junto aos seus clientes (torcedores) ou fizeram contratos que não foram proveitosos. Costumamos dizer que ao criar uma marca própria, o clube abre uma empresa que será administrada (muitas vezes) pelos mesmos dirigentes que gerenciam o clube e como bem sabemos, há quem faça isso muito bem e há quem faça isso muito mal, logo, é preciso entender seu público final e saber o que está fazendo para que não seja um tiro no pé ao invés da salvação da lavoura.

Fonte: Site Mantos do Futebol

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